domingo, 27 de julho de 2025

Boneco de posto!

as vezes

começo a balançar braços

em movimentos aleatórios

majoritariamente repetitivos

os mesmos de sempre

um momento que parece infinito

infinitamente

e poderia dizer

pelo mesmo estou em movimento

não estou parado

mas estou no mesmo lugar

plantado

pareço uma planta

plantado

sou o mesmo que um arbusto

plantado

sem crescer

sem expandir

o corpo

a mente

a alma nem se fale

esta ficou lá

ficou lá balançando os braços

parece ter gostado de balangar 

ao sabor do vento

de um vento farceta

creio que é por brincadeira

só de brincadeira!


sábado, 19 de julho de 2025

Na brasa!

Inclusive

vou dizer algo mais

falemos do universo

da vastidão

das estrelas

planetas

falemos da energia

uma energia não física

mais fluida

distante

daquilo que sabemos

somente sentimos

inclusive

encontra-se em nós mesmos

o cerne

cerne da questão

o que somos

para onde iremos

talvez evoluir

ou quem sabe o contrário

tudo pode

pode até o impossível

pois afinal o possível 

já temos

então mudemos

provemos da fruta proibida

e sejamos uma semente

centelha! 



Puzzle!

Eu que olho

ao meu redor

o que acontece em minha volta

e vejo 

vejo eu mesmo no centro de tudo

tudo que influo

tudo que insuflo

abstrato

um sopro

um verso sem sentindo

e eu

eu sentindo

a todo momento sentindo

porém guardando

a sete chaves

um segredo

escondido

que escondo em tolos sonhos

em ilusões descabidas

não cabem

não se encaixam

um quebra-cabeças sem solução!



sexta-feira, 18 de julho de 2025

Margem social!

Um passo de cada vez

bem devagarinho

em silêncio

absoluto

nem um piu

viu?

Ali

um maluco de chapéu coco

dando cambalhotas

virando de ponta a cabeça

vendo tudo invertido

parece divertido

somente não sei

de onde saiu

o chapéu coco

ou será de coco

a fruta

suas fibras

loucura

sim a maluquice

esta sim

sim está no devido lugar

fazendo tudo não passar de ilusão

uma farsa

uma farsa na qual

somos apenas coadjuvantes

figurantes

que nada influem

nada são!

mesmo lugar!

Não me aporrinhe

não me encha o saco

com estas coisas que nada significam

insignificantes

não me importam

efetivamente não tem importância

são meros detalhes

pequenos

prefiro

prefiro a suavidade das palavras

que digam

digam algo

digam que sou

me entreguem

lhes deixe saber

que nem bom

nem mal

uma mistura de dois

dois genes

que misturam

que se reproduzem

duplicam

triplicam

e por ai a fora

formando

formando tecidos

construindo órgãos

caminhos

dos pés a cabeça

a mente

que pensando vai

infinitamente

a pensar

uma coisa aqui

uma coisa ali

acolá

aqui!



domingo, 13 de julho de 2025

Passageiro!

Vou enfiar a boca

no trombone

vou reclamar

de tudo

de tudo não 

é muita coisa

somente reclamo de mim mesmo

dos meus erros

de meus acertos

do que fiz ou deixei de fazer

do que quero ou deixei de querer

mas

já é tanta coisa

me me perdi lá no começo

e já não quero mais

a boca no trombone enfiar

prefiro as tetas

delicadas

macias

suculentas

ou as ancas

instigantes

...

mastigantes

sinto vontade de devorar

com os dentes

com a boca

devorantes

...

presas

presas fáceis

ou nem tanto

nas garras

garras do predador

do lobo mal

vilão de novela das seis

um personagem

reles figurante

reles mortal

passante!


sustentando-se!

Nem sei como dizer

ou se digo

digo algo no dia de hoje

neste instante

agora

talvez não diga nada

talvez diga

uma verdade

uma mentira

uma coisinha

coisona

dizer

...

por dizer

da boca para fora

um palavreado desnorteado

ou teleguiado

GPS ou falta de bússola

prumo

nada certo

e tampouco errado

jeito teu

jeito meu

eu

que durmo nas palavras

acordo em poemas

poesia

quem sabe um dia

me torne poesia

com algumas rimas

que faça os escritos dançarem

como aves voando ao céu

um voo

um planar

tendo asas em meus sonhos

me vejo sonhando

em voar!






sábado, 12 de julho de 2025

Tateando!

Me fugiu

o pensamento que tinha deu no pé

escafedeu-se

desembestou

saiu que nem besta de minha mente

e fiquei literalmente na mão

vendo o tempo passar

as vezes devagar

em outros bastante acelerado

dilacerado

aos pedaços

inteiro

uma volta completa no relógio

um trajeto indefinido no universo

incerto

e certamente assim o é

ou seria

que sou eu para contestar essas coisas

um mero orgânico

que organicamente abstrai

e vai de um ponto ao outro

e nem percebe o que faz

...

um lapso

...

um esquecimento

...

momento

aquele que procuro faz tanto tempo

e não encontro nem pista

mas sigo

sigo procurando

mesmo que às cegas!

11/07/25


Bobeira!

Passei o dia a toa

não fiz quase nada

a não ser pensar em você

você e eu fazendo besteira

sei lá

brincadeira

imitação

dando risada

sem nenhum

nenhum compromisso

vadiando

rolando em uma cama

pulando em uma perna só

dando cambalhota

plantando bananeira

mas

...

mas quanta asneira

somente poderia eu

sonhar assim acordado

e olhar para os lados

e nada

e ninguém

acho que nem eu

muito menos eu

continuo lá

dando risada

imitando

brincando

com você!

11/07/25

terça-feira, 8 de julho de 2025

couro de pica!

Talvez

muito provavelmente

faria

uma besteira

uma besteira das grandes

enfiaria minhas mão gélidas

em tuas costas

nuas

mãos

costas

e diria

diria que foi pura maldade

somente pra arrepiar

os cabelos

os pelos

pentelhos

ou melhor

pelos pubianos

...

púbis

ponto de encontro

que bom

aqui te vejo

de outro jeito

um jeito inteiro

que me dá vontade

vontade de morder

cada pedaço de teu corpo

cada nuance

cada reentrância

uma fenda

uma passagem

que passo

passo pela fenda

entro

e

reentro

...

ida

...

vinda

...

vai

...

vem!



eloquência!

 eloquentemente

eloquente

diferente

absurdamente ciente

de meu entorno

onde estou

quem sou

...

Ser

...

ou não ser

nada mais que uma questão

uma questão a mais

e resposta

quase nenhuma

uma pulga

uma pulga na cueca

um cisco

um olho

...

por olho

por olhos

e também alguns dentes

quase

quase nada

se foram todos

já não enxergo

já não mastigo

e fico

fico agoniado prá caralho

pois ainda respiro

ainda vivo

ou pensando

pensando que estou

vivo!

vivamente

vivência

Viva!